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* O Boletim CLP é mensal e tem o objetivo de comunicar as atividades da organização.
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Os jornais Valor Econômico (na última sexta-feira) e O Estado de São Paulo (no último domingo) deram destaque a pesquisas do Instituto Análise sobre os maiores obstáculos percebidos pela população à geração de empregos no Brasil. Os impostos cobrados pelo governo aparecem consistentemente em primeiro lugar, com uma média de 45% das respostas. Os juros cobrados pelos bancos ocupam uma distante segunda colocação (com cerca de 15%).
Segundo o cientista político Alberto Almeida, diretor do Instituto Análise e parceiro do CLP, a redução da carga tributária tem potencial para se tornar o grande tema das eleições presidenciais de 2010. Os impostos já são percebidos pelos eleitores como o maior dos entraves ao aumento do seu poder de consumo. Entretanto, a agenda da redução de impostos ainda não está presente no discurso dos partidos e lideranças políticas.
No seu papel de estimular o surgimento de novas lideranças na área pública, o CLP pretende estimular esse debate divulgando a repercussão dessas pesquisas na imprensa. Mas, acima de tudo, gostaríamos de convidar os líderes políticos a se mobilizar em torno de uma bandeira que já desfruta de ampla aceitação popular mas que ainda vem sendo ignorada pelas elites. Vamos ver quem terá a visão e a coragem para mobilizar a sociedade e transformar em decisão política essa demanda da população!
Publicada em 08/01/2010 por Luiz Felipe d’Ávila (diretor-presidente do CLP), no Jornal O Globo
Copenhague revelou que o aquecimento global não está entre as nossas principais prioridades políticas. Defender o meio ambiente pode conferir prestígio internacional, mas votos e poder se conquistam estimulando o crescimento econômico, gerando empregos e investindo em programas sociais que ajudem a aumentar a renda da população mais pobre. Nenhum dos líderes reunidos na Dinamarca estava disposto a assumir acordos internacionais e metas climáticas que dificultem a sua tarefa de alcançar esses objetivos. Quando confrontados com o fato de que terão de investir por volta de 2% do PIB mundial para tentar conter o aquecimento da Terra em uma década, os líderes imediatamente pensam que há outras prioridades que se sobrepõem à questão climática.
Bjørn Lomborg, cientista político e ambientalista dinamarquês, resume o dilema político em uma questão crucial: é preferível gastar US$ 180 bilhões para reduzir a temperatura da terra 1 ou 2 graus Celsius ou utilizar metade desse recurso para assegurar água potável, saneamento básico, assistência médica e educação elementar para a população? Para responder a essa questão, Lomborg reuniu cinco Prêmios Nobel de economia e pediu para que calculassem o retorno social de cada dólar investido. Eis aqui alguns resultados curiosos:
* Prevenção contra Aids: O retorno social é de US$ 40 para cada dólar investido
* Combater desnutrição: US$ 30 para cada dólar investido;
* Prevenção contra malária: US$ 10 para cada dólar investido;
*Aquecimento global (cumprir o Protocolo de Kyoto): US$ 0,30 para cada dólar investido.
O resultado deste estudo nos oferece um ótimo indicador das prioridades da sociedade. Líderes não costumam correr risco e remar contra os interesses da sociedade por causas que não considerem vitais e prioritárias. Portanto, não é de se estranhar que Lula ou Obama prefiram comprometer 2% do PIB para dobrar o Bolsa Família ou viabilizar a reforma do sistema público de saúde americano a investir na esperança de reduzir a temperatura da terra em uma década. Assim como todos nós, líderes políticos são obrigados a lidar com recursos finitos e demandas infinitas. Elegemos prioridades e somos obrigados a fazer escolhas que implicam a renúncia a algumas coisas em benefício de outras. Com exceção da pequena ilha de Tuvalu, que está desaparecendo – e, feliz ou infelizmente, não é consenso que o aquecimento global tenha algo a ver com isso -, a maioria das pessoas não está disposta a fazer grandes sacrifícios hoje para salvar o planeta num amanhã sem data. É improvável que aceitassem um aumento de 20% a 50% na conta de luz, no preço dos alimentos ou do combustível para acabarmos com a queima de carvão ou com a utilização de adubos e pesticidas.
Então, devemos cruzar os braços e não fazer nada? De maneira nenhuma! A primeira atitude de um líder é compreender a diferença entre os desafios técnicos e os desafios comportamentais. Mudança de hábito, de crenças e atitudes exige doses de sacrifício, desconforto e experimentação. É um processo de reeducação e de conscientização que cobra coragem, perseverança, determinação e consciência de que todo experimento pode dar errado e não atingir os resultados esperados.
Lideres só correrão o risco de engajar as pessoas em mudanças comportamentais se forem capazes de vislumbrar os ganhos futuros, como voto e poder. Para isso, precisam fazer exatamente o oposto do que fizeram em Copenhague. Em primeiro lugar, é preciso determinar metas claras, objetivas e factíveis (como a redução de CO2). Em segundo lugar, é necessário criar medidas que até podem gerar desconforto nas pessoas (mudança de crenças e atitudes), mas sem colocar em risco aquilo que lhes é vital: o preço dos alimentos, por exemplo. Em terceiro lugar, o mundo pede bons educadores, engajando as pessoas para enfrentar com realismo as mudanças de hábitos e crenças, evitando o apelo às pílulas de demagogia – como culpar as “potências imperialistas”, o “consumismo desenfreado” ou a “ganância dos empresários” pelos males da humanidade e pelo aquecimento global – para aliviar a dor e a tensão de se adaptar às novas circunstâncias.
A visão dos líderes políticos é calibrada pela realidade em que atuam. Se a sua visão estiver muito distante daquela das pessoas, os seus objetivos não as atrairão e não as mobilizarão. Se os seus objetivos se circunscrevem aos objetivos de curto prazo, eles serão incapazes de promover mudanças realmente transformadoras na sociedade. Hoje, os líderes políticos não estão dispostos a correr o risco de irritar os seus concidadãos e criar desconforto nas pessoas, desafiando-as a promover mudanças radicais no seu modo de viver, nos seus valores e no seu comportamento para “salvar” o planeta. Antes de exigir sacrifícios do povo, os lideres precisam fomentar o amadurecimento da questão climática no seio da sociedade. De fato, a conferência em Copenhague nos ensinou que, ao criarmos um senso de urgência para a questão do aquecimento global sem estarmos preparados e dispostos a fazer os sacrifícios necessários para mudarmos de hábitos, crenças e atitudes, geramos frustração na sociedade e descrédito dos líderes.
Copenhague destruiu a falsa ilusão de que podemos enfrentar o aquecimento global recorrendo apenas a soluções técnicas (como utilização de dinheiro e tecnologia) e nos esquivando da responsabilidade de rever a maneira como vivemos, consumimos e geramos produtos, bens e serviços. A questão do aquecimento global retrata os conflitos de valores entre o que pregamos e o que fazemos.
É com muita alegria que comunicamos o novo momento do CLP ! A partir da semana que vem (14.12.2009) estaremos de casa nova, agora com mais espaço e comodidade para conceber os projetos que desenvolverão os futuros líderes políticos do Brasil!
Gostariamos de compartilhar com você esse momento tão especial para nós! Venha conhecer nosso novo espaço:
Av. Nove de Julho, 5094
CEP: 01406-200 São Paulo – SP
Estaremos em férias coletivas do dia 19/12/2009 a dia 11/01/2010.
Desejamos a todos um Ótimo Natal e um 2010 repleto de energia positiva.
Equipe CLP
O Centro de Liderança Pública foi citado no mais recente relatório especial sobre o Brasil da prestigiada revista britânica “The Economist”. O relatório se intitula “Getting it together at last”, e circula na edição datada de 14 de novembro de 2009.
A referência aos seminários nacionais para prefeitos promovidos pelo CLP aparece na seção do relatório dedicada aos melhores exemplos de práticas inovadoras no setor público brasileiro.
Para fazer download do relatório, clique aqui.
No último domingo (18/10), o diretor-presidente do CLP, Luiz Felipe d’Avila participou do debate sobre politica da primeira edição do Festival Trip de Política, da Revista TRIP.Com a prosposta de aproximar o jovem da politica e de deslocar a política, normalmente confinada em salas de aula ou plenários e devolvê-la à rua, o fórum de discussão reuniu pessoas com diversos tipos de envolvimento com a politica. Durante cinco horas de evento, 976 pessoas viram discussões sobre o uso da internet em campanhas eleitorais, sobre corrupção e transparência na política, a capacidade de transformação social e política do cinema, o alcance dos direitos dos homossexuais e dos deficientes físicos, e uma boa dose de música de protesto.
Clique aqui e confira a entrevista de Luiz Felipe d’Avila dada à revista Trip.
Assista ao debate que Luiz Felipe d’Avila participou em conjunto com Fernando Gabeira (deputado federal),Ronaldo Lemos (colunista da TRIP) e Fernando Luna.
Parte I
Parte II
Parte III
O CLP convida os internautas a participar de um debate proposto pelo cientista político dinamarquês Bjorn Lomborg -- autor dos best-sellers “O ambientalista cético” e “Muita calma nessa hora!”.
Ele procura chamar a nossa atenção para uma questão fundamental sobre o futuro do mundo. Será que estaríamos priorizando equivocadamente os problemas do aquecimento global, em detrimento de outros problemas mais urgentes e facilmente solucionáveis? Qual seria o custo-beneficio para a sociedade em resolver problemas ambientais cujos resultados só aparecerão em 100 anos, e que gastarão bilhões de dólares sem resultados efetivos e imediatos?
Será que num menor espaço de tempo poderíamos resolver alguns dos outros problemas mais graves do mundo como, por exemplo, a malária e o controle da AIDS? Lomborg argumenta que eles seriam problemas tão ou mais importantes para a sociedade mundial do que o aquecimento global -- e poderiam ser solucionados num menor prazo de tempo e com menos dinheiro.
O papel de um líder transformador é priorizar -- e priorizar é fazer escolhas. Segundo Lomborg -- como não seria possivel resolver todos os problemas de uma só vez -, precisamos pensar mais no mundo real e menos nos mundos que idealizamos.
Assita ao vídeo abaixo e deixe os seus comentários!
Os paulistanos devem ficar atentos no período que vai de 17 de agosto de 2009 até 5 de maio de 2010. A Justiça Eleitoral de São Paulo está promovendo uma campanha para remanejar eleitores de seções eleitorais com mais de 400 inscritos, com objetivo de facilitar o atendimento no dia da votação.Os eleitores inscritos nessas escolas devem procurar o cartório eleitoral e escolher um novo local de votação.
Acesse o site do TRE e verifique se sua zona/seção sofreu o remanejamento:
Uma pesquisa de opinião nacional feita pelo Instituto Análise - um dos parceiros do CLP – foi um dos destaques da edição da última segunda-feira (21 de setembro) do jornal “O Estado de S. Paulo”. A sondagem procurou medir o apoio da população à manutenção do sistema bicameral (a Câmara dos Deputados e o Senado Federal) no Congresso, cuja reputação foi recentemente atingida por sucessivos escândalos descobertos no Senado. Os resultados mostram um apoio de 52% à manutenção do sistema bicameral, contra 35% que defendem um sistema unicameral (somente com a Câmara).
A íntegra da reportagem principal pode ser conferida através do link http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090921/not_imp438337,0.php. O jornal também fez uma entrevista (disponível apenas para assinantes) com o sociólogo Alberto Almeida, diretor do Instituto Análise.
Competitividade e Educação – Por José Pastore (Estadão – terça-feira, 15 de setembro de 2009)
Segundo o Relatório de Competitividade Global2009- 2010,publicado pelo World Economic
Forum, o Brasil melhorouemrelaçãoaoanopassado – subiu da 64ª para a 56ª posição, num total de 133 países
estudados.Anotícia é animadora. Mas é uma daquelas histórias do copo meio cheio ou meio vazio.
Olhando da perspectiva do que falta ao Brasil para chegar ao nível da China (29ª posição), do Chile(30ª),da República Checa (31ª), da Tailândia (36ª), da África do Sul (45ª) ou da Índia (49ª),há quese examinar os indicadores que compõem o índice de competitividade. No caso do Brasil,o obstáculo que salta aos olhos é a precária qualidade da educação fundamental – dentre os 133 países, ocupamos a119ªposição.Na avaliação do ensino de matemática e ciências, descemos aindamais, ocupando a 123ª posição. Não é à toa. Os dados revelados pelo Ministério da Educação (MEC) na última semana são desanimadores. Dentre 2 mil cursos de pedagogia avaliados, 588 (29%) foram considerados ruins,tendo obtido notas1e2 numa escala que varia entre 0 a 5. É uma calamidade. O pior é que esse número vem crescendo, inclusive entre as escolas que fazem parte de universidades. Nesse meio,o aumento das escolas ruins cresceu 65% entre 2007 e 2008. Andamos para trás.
As pesquisas mais recentes indicam que a principal causa da precária situação do ensino fundamental
se liga à má qualidade dos professores,coordenadores e diretores das escolas, cuja grande maioria se forma nos cursos de pedagogia. Entre 2002 e 2007 esses cursos proliferaram. O crescimento foi de 85%, tendo passado de 1.237 para 2.295. Que bom seria se a qualidade tivesse acompanhado a quantidade. Segundo os dados do MEC,
cerca de 30% dos professores, coordenadores e diretores do ensino fundamental se formam em cursos ruins, o que não quer dizer que 70% se formam em cursos ótimos. A qualidade da grande maioria dos cursos de pedagogia classificados em torno da média é também bastante precária. Só 9 cursos, dentre os 2mil avaliados, obtiveram a nota máxima (5). Um outro fator que pesa muito na competitividade do País é a capacidade de inovação da sociedade. Mas como inovar em ciência e tecnologia, se uma expressiva parcela das nossas
crianças é “educada” por professores que passaram por escolas ruins? No nível universitário, o volume de pesquisas vem aumentando, mas o número das que chegam ao patenteamento e que afetam a competitividade
é ainda irrisório.Para o professor Eric Hanushek (Stanford University), que realiza estudos comparativos sobre a qualidade da educação, as chances de oBrasil crescer em ritmo chinês e se tornar mais competitivo são mínimas.Em outras palavras, a educação só é crucial quando é de boa qualidade. A qualidade nunca foi tão relevante para o desenvolvimento como nos dias atuais. As novas tecnologias exigem mais destreza e, sobretudo, bons conhecimentos sobre a profissão e as profissões vizinhas, pois o mais frequente é o trabalho em grupo. Numa comparação entre os países nos quais a população tem apenas o curso primário, o
Brasil sai muito mal na foto. A Dinamarca,a Eslováquia e a Estônia têm apenas 1% das pessoas
nessas condições; Hungria e Polônia, 2%; Rússia e Alemanha, 3%;Japão, Canadá e Estados Unidos, 5%; Brasil, 57%! E quando se inclui a dimensão da qualidade da educação, o problema assume proporções
assustadoras. Por isso, apesar de o índice de competitividade ter melhorado, precisamos ficar atentos ao que
o está impedindo de melhorar mais e de chegar mais perto dos concorrentes do Brasil.
Além da educação, é claro, conspiram contra a competitividade a elevada carga tributária, a precária infraestrutura e a rigidez das nossas instituições. Em pesquisa realizada pelo Banco Mundial em 183 países,o Brasil está na 129ª posição –tambémnarabeira–e por causa, fundamentalmente, da ausência das reformas tributária, previdenciária, administrativa e trabalhista (Doing Business 2009, Washington: The World Bank, 2009).
São dados como esses que me levam a focar primordialmente a parte do copo que está vazia. Este governo não podia ter abandonado as reformas. O presente já está mostrando os prejuízosda inação. O futuro revelará
as verdadeiras cores. ●
*José Pastore é professor de relações do trabalho da Universidade de São Paulo | Site: www.josepastore.com.br