CLP – Potencializar a educação é potencializar os territórios - Entrevista com Maria Carolina Paseto
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Potencializar a educação é potencializar os territórios - Entrevista com Maria Carolina Paseto

07/12/2018 -

 

O CLP conversou com a Coordenadora de Educação no Instituto Arapyaú, Maria Carolina Paseto. Ela, que também é líder do Master em Liderança e Gestão Pública (MLG), contou sobre a fundação, que tem como proposta articular organizações, lideranças, conhecimentos e ações que promovam a transformação da sociedade.  

 

Como é o trabalho que você ajuda a desenvolver no Instituto Arapyaú?

 

O Instituto existe há dez anos e atua com foco no desenvolvimento territorial e sustentabilidade, no papel de articulação de outros atores. Hoje desenvolvemos três grandes programas que trabalham essa visão no contexto dos biomas, clima e cidades. E temos também o programa territórios, que é focado no sul da Bahia, tendo a educação como prioridade. Há cinco meses eu entrei no instituto pensando em fortalecer essa área porque a gente entende que potencializar a educação é potencializar os territórios.

 

E como vocês tem feito isso?

 

Nesse processo a gente conheceu os municípios dessa região para entender a demanda em educação. A partir disso, construímos um plano de educação que começou agora no segundo semestre em dois municípios. A intenção é aprender com esse processo, mas a nossa expectativa é expandir o programa também para os outros municípios onde o Instituto atua, sendo referência nesse contexto de sul da Bahia.

 

 

Qual a expectativa de impacto?

 

O nosso foco é a melhoria do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A gente está acompanhando esse indicador e esperamos que o ano que vem esses dois municípios já melhorem os resultados, especialmente no próximo IDEB, em 2021. Para além disso, a gente tem indicadores de processo com avaliação dos alunos uma vez por ano, formação de professores e apoio na construção dos currículos a partir da base nacional comum. Então o grande impacto esperado é o desenvolvimento desses locais, formando cidadãos mais autônomos.

 

Na sua percepção, quais os principais desafios dos municípios onde a organização atua hoje?

 

Os municípios têm pouca capacidade técnica, com equipes pequenas e muita coisa para fazer. Esse é um baita desafio de gestão, de governança e também de governabilidade, com um impacto político. Há também a questão da escassez de recursos que resulta em um ciclo onde pouca coisa pode ser feita e a gestão acaba tendo que viver “apagando incêndios”. Mas, ao mesmo tempo, vejo muita abertura, muita vontade de fazer diferente e trabalhar em parceria com o terceiro setor e a iniciativa privada, o que é muito rico.

 

Você acredita que parcerias com o terceiro setor podem ser a saída para os gestores continuarem promovendo o desenvolvimento nesse momento de crise?

 

Acredito que o terceiro setor tem muito poder nesse lugar de parceria. Então a gente sempre faz a comparação do navio pesado, mas ao mesmo tempo grande, que é o setor público, e o terceiro setor que seria como uma lancha que pode pegar a rapidez, agilidade e a inovação do setor privado, mas ao mesmo tempo, com essa demanda do setor público, das grandes causas. É muito importante não olhar só para lucro, mas também para impacto social.


Maria Carolina Paseto é formada em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, tem especialização em Gestão de Projetos pela Fundação Dom Cabral e é líder do Master em Liderança e Gestão Pública (MLG), pelo CLP. No setor público, já atuou nos governos de Minas Gerais e São Paulo. Também foi Gerente de Projetos Educacionais no Instituto Ayrton Senna e atualmente é Coordenadora de Educação na Instituto Arapyaú.