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Um diagnóstico sobre os acidentes de trânsito no Brasil em 2023

Introdução

Acidentes de trânsito têm um impacto significativo na sociedade, tanto em termos de custos econômicos quanto humanos. Todos os anos, milhões de pessoas são feridas ou mortas em acidentes de trânsito em todo o mundo, tornando-se um problema urgente de saúde pública e segurança.

Os custos humanos de acidentes de trânsito são imensos, com vidas perdidas, famílias desfeitas e comunidades afetadas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,35 milhão de pessoas morrem anualmente em acidentes de trânsito, com muitas mais sofrendo lesões não fatais que podem levar a deficiências de longo prazo.

As razões que levam a acidentes de trânsito e a mortes ou feridas graves como consequência desses englobam uma série de questões, destacando-se: aumento da velocidade média, dirigir sob influência de álcool, não utilização de capacete, cinto de segurança e cadeirinha para crianças, infraestrutura e veículos com baixo grau de segurança, direção desatenta, cuidados inadequados pós acidente além da aplicação inadequada de leis que objetivam coibir que a população não utilize cinto de segurança e capacete, dirija depois de ter consumido bebida alcoólica e exceda limites de velocidade estabelecidos. Assim, como será abordado nesta nota técnica, a formulação de políticas públicas que reduzam acidentes de trânsito e seus impactos devem equacionar todos os problemas mencionados acima[1].

Além dos custos humanos dos acidentes de trânsito, há também custos econômicos significativos. Esses custos incluem despesas médicas, perda de produtividade e os custos associados a danos materiais. Os governos devem levar esses custos em consideração ao implementar medidas para melhorar a segurança viária.

Em conclusão, os acidentes de trânsito têm um impacto significativo na sociedade, com vidas perdidas, famílias desfeitas e comunidades afetadas. Os governos têm a responsabilidade de abordar esse problema por meio da implementação de leis de segurança viária, melhorias na infraestrutura, campanhas de educação pública e medidas de fiscalização. Ao adotar uma abordagem abrangente, os governos podem reduzir o número de acidentes e os custos humanos e econômicos associados.

Cenário Brasil

Analisando-se os dados de Morbidade nos Transportes presentes no Ranking de Competitividade dos Municípios, lançado pelo CLP, notamos que a região Sul do Brasil se destaca como a que apresenta maior número de cidades com menos de 50 internações por acidente de transporte por grupo de 100 mil habitantes. Assim, dos municípios da região com população acima de 80 mil habitantes, 46,38% apresentam Morbidade nos Transportes abaixo de 50 por grupo de 100 mil. Em nenhuma outra região verifica-se essa quantidade de municípios com morbidade nos transportes abaixo de 50 sendo que a segunda região com melhor performance nesse recorte é o Nordeste, a qual apresenta pouco mais de ¼ de seus municípios com população superior a 80 mil habitantes com Morbidade nos Transportes abaixo de 50.

Importante ressaltar também que nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste ocorreu aumento do número de municípios com taxas de internação decorrentes de acidente de transporte acima de 150 quando comparamos as edições de 2020 e 2023 do Ranking dos Municípios. Assim, em 2020, as regiões mencionadas acima apresentavam, respectivamente, 18,58% , 25% e 46,43% de seus municípios, de acordo com o critério populacional utilizado pelo CLP, com Morbidade nos Transportes acima de 150. Já na edição de 2023, esses números passaram para 24,87%, 31,11% e 57,14%.

Nesse sentido, quando analisamos o conjunto total de cidades presentes na amostra, notamos que o número de municípios no país com Morbidade nos Transportes acima de 150 passou de 23,70% em 2020 para 29,23% em 2023.

Em termos de Mortalidade nos Transportes, a região com melhor performance é a Sudeste, na qual menos de 20% das cidades apresentam mortalidade acima de 20 por grupo de 100 mil sendo que em todas as demais regiões o número de municípios com Mortalidade nos Transportes acima de 20 está próximo ou passa de 40%, chegando a 57,14% no Centro Oeste, 44,74% no Norte, 38,57% no Sul e 42,22% no Nordeste. Importante destacar também que o Nordeste apresentou elevação do número de municípios com mais de 80 mil habitantes que apresentam Mortalidade no Transporte acima de 20, tendo passado de 36,36% cidades na edição de 2020 do Ranking para 42,22% na edição de 2022.

De modo geral, analisando todos os municípios presentes na amostra, nota-se que o número de municípios com menos de 10 óbitos decorrentes de acidentes de transporte por grupo de 100 mil aumentou no comparativo entre as edições de 2020 e 2022 do Ranking saindo de 26,67% para 29,88%. Nota-se também que o número de municípios com Mortalidade no Trânsito acima de 20 reduziu-se no mesmo comparativo saindo de 35,31% do total da amostra em 2020 para 32,29% em 2022.

Comparativo Brasil x Países Desenvolvidos

Analisando os dados da OMS, notamos que, no comparativo com países desenvolvidos, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer, apresentando taxas de mortalidade nos transportes estruturalmente mais alta. O Gráfico abaixo ilustra a situação.

Fonte: Elaboração dos autores com dados da OMS

Comparativo Brasil x Países da Região

Quando comparamos a performance do Brasil, em termos de mortalidade nos transportes, com a de países da região, notamos que nossa performance no tema é média. Assim, apresentamos mortalidade nos transportes mais elevada do que países como Colômbia, Chile, Uruguai e Argentina. Por outro lado, temos melhor performance do que países como Venezuela, Paraguai, Bolívia e Equador, conforme demonstrado no gráfico abaixo.

Fonte: Elaboração dos autores com dados da OMS relativos ao ano de 2019

Série Histórica – Brasil

Interessante também notarmos que, apesar de ainda estar distante dos países desenvolvidos, o Brasil, desde o ano de 2014, vem apresentando redução das mortalidades nos transportes, revertendo a tendência de crescimento que vinha desde o ano de 2000. O gráfico abaixo demonstra a situação.

Fonte: Elaboração dos autores com dados da OMS

Custos Econômicos

Para calcular o custo econômico das perdas de vidas no trânsito, será adotado o modelo desenvolvido por órgãos internacionais[2], e já usada pelo IPEA[3], que se utiliza a sobrevida esperada dos acidentados e a trajetória esperada de renda privada destes. A análise será separada por sexo, utilizando o período de 2012 a 2020 para a trajetória dos óbitos por acidentes rodoviários, pelos dados do DataSUS, e a PNADC de 2020 para estimar a trajetória de rendimentos privados por idade, explicitada no Gráfico abaixo.

Fonte: PNADC 2023

O Gráfico abaixo mostra a trajetória de óbitos por acidentes rodoviários. Como se vê, homens têm chance cerca de 4 vezes maior do que mulheres de perderem a vida por essa razão.

Fonte: DataSUS

A idade média daqueles que vêm óbito nesse tipo de acidente é de cerca de 41 anos para homens e 42 anos para mulheres – e a sobrevida destes é de 36 e 40 anos, respectivamente. O Gráfico abaixo mostra a evolução do custo anual das vidas perdidas ao longo dos anos de 2012 e 2023.

Fonte: Elaboração própria. Taxa de juros considerada: 5%

Somando os valores considerando a correção para valor presente, tem-se que, em um período de 11 anos, foram perdidos R$ 251 bilhões em termos de vidas para acidentes de tráfego. Em média, portanto, houve uma perda anual de R$ 21 bilhões – R$ 800 mil por indivíduo – correspondente a cerca de 0,2% do PIB brasileiro em 2023 apenas por vidas perdidas.

Medidas para serem tomadas

Os governos em todo o mundo reconheceram a gravidade desse problema e estão tomando medidas para enfrentá-lo. Algumas das medidas pelos governos tomadas, agregadas pelos PwC[4], incluem:

  1. Leis de segurança rodoviária: Os governos implementaram leis de segurança viária que visam melhorar a segurança nas estradas. Essas leis incluem limites de velocidade, leis contra dirigir embriagado e leis que exigem o uso de cintos de segurança e cadeirinhas para crianças.
  1. Melhorias na infraestrutura rodoviária: Os governos investem na melhoria da infraestrutura viária para reduzir o risco de acidentes. Medidas como a construção de estradas melhores, a adição de recursos de segurança como rotatórias e a instalação de barreiras que separam o tráfego que vem em direções opostas podem ajudar a prevenir acidentes.
  1. Campanhas de educação pública: Os governos também educam o público sobre os riscos associados aos acidentes de trânsito e as medidas que podem tomar para reduzi-los. Campanhas que incentivam práticas de direção segura, como evitar dirigir distraído e usar cintos de segurança, podem ser eficazes na redução do número de acidentes.
  1. Fiscalização: Os governos fazem cumprir as leis de trânsito por meio de patrulhas policiais, câmeras de velocidade e outras medidas. Essas medidas de fiscalização podem atuar como um impedimento e incentivar os motoristas a seguir as regras.

Além das medidas mencionadas acima, também é importante a adoção de políticas públicas que objetivem melhorar a segurança dos veículos e o atendimento pós acidente.

Dashboards CLP – Diagnóstico sobre os acidentes de trânsito no Brasil

Municípios – https://bit.ly/3UrPjHo

Estados e Global – https://bit.ly/3ZEjtYU

Por Daniel Duque, gerente de Inteligência Técnica do CLP; e Pedro Trippi, coordenador de Inteligência Técnica do CLP


[1] Road traffic injuries (who.int)

[2] https://www.nhtsa.gov/press-releases/traffic-crashes-cost-america-billions-2019#:~:text=The%20%24340%20billion%20cost%20of,gross%20domestic%20product%20for%202019.

[3] https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/artigos/7018-td2565.pdf

[4] https://www.pwc.com/m1/en/publications/road-safety/pwc-guide-on-reducing-road-fatalities.pdf

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