Ricardo Hausmann, economista e diretor do Centro para Desenvolvimento Internacional da John F. Kennedy School of Government, da Universidade Harvard, deu uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo nesta segunda-feira, dia 30/08/2010.
Hausmann escreveu o número inaugural do CLP Papers, a linha de publicações do Centro de Liderança Pública, no final do ano de 2008. Na época, o trabalho entitulado “Um diagnóstico do crescimento econômico brasileiro” tratou de esclarecer os desafios que impediam a criação de uma base fiscal que possibilitasse uma aceleração sustentável do crescimento do país. No mesmo ano, o economista escreveu o estudo “In search of the chains that hold Brazil Back” (“Em busca das correntes que freiam o Brasil”), continuando a afirmar que a política de expansão fiscal sustentada pelo BNDES era insustentável.
Na entrevista à Folha, o especialista em teoria do desenvolvimento econômico defende que após a crise do mercado em 2008, embora o país tenha conseguido administrá-la bem, o país continuou vivendo de forma “esquizofrênica”, visto que ainda existe “uma política fiscal em que o BNDES tem o pé no acelerador e o Banco Central tem o pé no freio”, conforme ele disse. Dessa forma, a taxa Selic fica muito alta em um momento no qual as taxas de juros estão baixas no mundo todo. O resultado disso é que os investidores pegam emprestada moeda estrangeira para investir no Brasil, acarretando em uma elevada apreciação da taxa de juros aliada à chance de haver desindustrialização.
Hausmann ainda afirma que a política macroeconômica do Brasil tem sido feita sem uma visão de longo prazo consolidada, e que o presidente Lula teve muito sucesso em seu governo devido ao seu antecessor; FHC conseguiu fazer reformas significativas em diversas áreas e isso possibilitou a continuidade de alguns projetos no governo posterior. O economista acredita que o sucessor de Lula não terá a mesma sorte que ele teve, uma vez que o atual presidente não conseguiu transferir o enorme capital político que ele conseguiu construir em dois mandatos em reformas importantes.